Falando em saúde

22mar Transplante de Medula Óssea

 

 

                A medula óssea é um tecido líquido gelatinoso, localizado no interior dos ossos. Ali encontramos as células tronco, responsáveis pela produção das células do sangue e de defesa. Quando alguma doença afeta a fabricação dessas células, consequências graves podem surgir.

            O transplante de medula óssea é um tratamento proposto para algumas doenças como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo e outras doenças hematológicas graves. Consiste na substituição da medula doente ou deficitária, por outra saudável.

            Existem dois tipos de transplantes: autólogo e alogênico. O autólogo utiliza células tronco de próprio paciente, coletadas, congeladas e reimplantadas após o paciente ser submetido a uma quimioterapia de condicionamento. “Esse tipo de transplante utiliza a força da quimioterapia como arma para tentar curar essas doenças”, esclarece o coordenador do Real Transplante de Medula Óssea, Rodolfo Calixto.

            No alogênico, é usada a medula de um doador. Normalmente, busca-se nos irmãos um doador HLA compatível cujas chances de compatibilidade são de 25%, depois nos pais e familiares em primeiro grau. Quando não há compatibilidade, os pacientes são incluídos no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME). Entretanto, a miscigenação populacional no Brasil é muito grande, então, as chances de encontrar doador são, em média, 1 em cada 50 a 100 mil pessoas.

            Para ser doador é necessário ir a um banco de sangue, tirar 5 ml de sangue para realizar a tipagem HLA classe 1, e cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Os dados do REDOME cruzam com o do REREME. Quando encontrada compatibilidade, é feito contato com o voluntário e solicitado exames complementares. A retirada é feita em um hospital habilitado, próximo a residência do doador.

            O Real Transplante de Medula Óssea realiza em média 150 transplantes por ano. “Nós somos referência de transplante de medula óssea em Pernambuco e somos o único coletor e transplantador de doador não aparentado”, afirma Calixto.

            A tradicional coleta de medula óssea é feita cirurgicamente, sob anestesia geral ou bloqueio raquimedular, na sequência são puncionadas as cristas ilíacas posteriores bilaterais para aspiração do material medular. O líquido coletado é colocado em uma bolsa e enviado para infusão no paciente. 

 

            Outra método é coleta de células tronco periféricas. No caso o doador toma uma medicação por cinco dias para aumentar o número de células-tronco no sangue e em seguida faz doação por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador e separa as células tronco. 

            No cordão umbilical também é possível encontrar as células precursoras da medula óssea. Após o nascimento, o cordão umbilical é pinçado e separado do bebê. O sangue que permanece no cordão e na placenta é drenado para uma bolsa de coleta e congelado para doação.

            Para o receptor, o transplante é um procedimento rápido, uma transfusão de sangue, e dura em média duas horas. O paciente primeiro submete-se a um tratamento para destruir a própria medula, em seguida receberá as células da medula sadia de um doador. Essas células entram pelo sangue e desenvolvem-se na medula.